A História do café

A LENDA

574 d.C

A História começa em Abissínia, atual Etiópia, onde um pastor chamado Kaldi costumava pastorear o seu rebanho de ovelhas, por entre os intermináveis descampados onde apenas se insurgiam alguns pequenos arbustos carregados de belas e saborosas bagas vermelhas. Bagas essas que serviam de alimento ao rebanho pastorado por Kaldi e que provocavam nestas uma positiva reação energizante, fazendo-as caminhar quilómetros e quilómetros sem que lhes faltasse o folego.

Intrigado o pastor procurou, junto do padre do Mosteiro local, alguma explicação para este facto, partilhando com este a sua recente descoberta. O padre, intrigado com o tema, apressou-se a experimentar os ditos frutos e a verificar, por si mesmo, se era ou não verdade a história que Kaldi contava. Acompanhando o pastor numa das suas caminhadas recolheu várias bagas que levou consigo para o Mosteiro e onde as provou sobe forma de infusão.

Depois de provar, o padre conseguiu comprovar que de facto aquelas bagas de fruto lhe estimulavam os sentidos e que o mantinham bem mais desperto, para além de possuírem um aroma único e distintivo. Assim, passou a tomar esta bebida com regularidade, ajudando a concentrar-se nas suas obrigações diárias e a combater o sono. Com o passar do tempo a mensagem foi-se espalhando e a bebida começou a ser consumida e procurada por cada vez mais pessoas, tendo ficado conhecida à época por Kahwa.

Introdução do Café na Europa

1600

Foi através de Veneza que se deu a introdução do café na Europa. Sendo que foi nesta mesma cidade que abriu, uns anos mais tarde, o primeiro café público do velho continente, chamado “Café Florian” no ano de 1645. Mais tarde, já em 1659, o café faz a sua entrada em França e é a partir deste ponto que se difunde para todos os restantes países, tornando-se uma das bebidas mais popular à época.

Desde essa altura, as “casa de café” entraram definitivamente na vida dos Europeus, tornando-se locais de encontro, de debate e de convívio. Autênticos fóruns culturais e políticos, foi também nestes espaços que se tomaram algumas importantes decisões e que se expressaram às mais diversas formas de expressão artística e intelectual. As “casas de café” marcaram assim um ponto fundamental no desenvolvimento social das várias nações onde se inseriam.

Café em Portugal

1800

Em 1727, o português Francisco de Melo Palheta recebeu das mãos da mulher do governador da Guiana Francesa alguns pés de café. Tendo os mesmos sido introduzidos no Brasil que, a partir deste pequeno passo, se haveriam de tornar num dos maiores produtores de café do Mundo, tal como ainda hoje acontece.

Mais tarde, já no século XVIII o café chega finalmente a Portugal através dos primeiros cafés públicos, tornando-se rapidamente em espaços de grande afluência e, à semelhança da restante Europa, espaços de grande cariz cultural e artístico. Em especial, a partir dos séculos XIX e XX, estes espaços tornam-se em grandes centros de importância e de intervenção social, juntando os pensadores e políticos da época e sendo palco de importantes debates sobre todo o tipo de questões. Por estes locais se evidenciaram algumas das mais distintas figuras portuguesas da nossa história, como Fernando Pessoa, Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco e muitos, muitos outros.

O café na atualidade

Século XXI

Atualmente o café é parte integrante do dia-a-dia de uma grande maioria das pessoas espalhadas pelo mundo. Fazendo hoje parte da sua vida, da sua cultura, dos seus hábitos e costumes. Contudo, também no consumo de café se vão introduzindo novos hábitos e hoje o café não é bebido apenas nos cafés ou locais de consumo tradicionais. Os portugueses em particular introduziram o café nas suas próprias casas, sendo hoje cada vez mais diversificado o tipo de oferta, os formatos e hábitos de consumo. Por tudo isto o café continua a afirmar-se como uma das bebidas mais populares do mundo.